O nosso investigador e doutorando Jorge Moreira acaba de publicar o ensaio “Velas na Escuridão: Ensaio sobre Crise e Esperança”, na revista Captar, um texto interdisciplinar que convida à reflexão sobre alguns dos maiores desafios do nosso tempo.
Partindo das crises ecológicas, climáticas, sociais, políticas e tecnológicas que caracterizam o Antropoceno, o autor analisa os riscos que emergem da degradação ambiental, das desigualdades sociais, da erosão democrática e das transformações aceleradas promovidas pelo tecnocapitalismo.
Num contexto marcado pela incerteza, Jorge Moreira propõe a esperança como uma força ética, estética e política capaz de sustentar práticas de resistência, cuidado, cidadania e transformação social. A esperança surge aqui não como uma abertura ativa ao possível, essencial para enfrentar os desafios contemporâneos e imaginar futuros mais justos, sustentáveis e interconectados.
Parabéns ao autor por este relevante contributo para a reflexão crítica sobre sustentabilidade, justiça socioambiental e os futuros que queremos construir.
Parabéns à nossa investigadora e doutoranda Vanda Viegas, do Programa de Doutoramento em Sustentabilidade e Desenvolvimento da Universidade Aberta de Portugal e do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet da Universidade de Coimbra, pela publicação do artigo “Alterações Climáticas como Fenómeno Socioambiental: Enquadramento Teórico para o Estudo das Perceções Sociais em Portugal e Moçambique”, na revista Captar, desenvolvido em coautoria com as suas orientadoras Fátima Alves e Helena Freitas.
Integrado na sua investigação de doutoramento, este trabalho destaca a importância de compreender as alterações climáticas como um fenómeno profundamente social, influenciado por contextos culturais, vulnerabilidades, desigualdades, confiança institucional e diferentes formas de conhecimento.
Partindo de uma análise comparativa entre Portugal e Moçambique, o artigo propõe um enquadramento teórico inovador para o estudo das perceções sociais das alterações climáticas, evidenciando como a forma de compreender e experienciar o risco climático influencia a participação pública, a governança ambiental e a eficácia das políticas climáticas.
Este trabalho constitui um importante contributo para o avanço do conhecimento sobre a dimensão social das alterações climáticas no espaço lusófono e para a construção de respostas mais inclusivas e sustentáveis aos desafios globais contemporâneos.
Felicitamos a autora e as suas orientadoras por mais este contributo científico para a sustentabilidade, a justiça climática e a cooperação entre comunidades lusófona.
Este trabalho, da autoria de Sofia Fernandes e Fátima Alves, propõe uma reflexão crítica sobre um dos desafios mais estruturantes do nosso tempo: a escassez de água no contexto das alterações climáticas e do desenvolvimento sustentável, tomando Marrocos como caso de estudo.
Num cenário marcado pela diminuição da disponibilidade hídrica per capita, o artigo analisa de forma integrada os impactos sobre agricultura, segurança alimentar e energética, estabilidade social e dinâmicas territoriais, evidenciando como a gestão da água se encontra no centro de múltiplas tensões socioecológicas.
A partir de uma leitura que cruza contextos rurais e urbanos, os autores destacam:
• O papel da sobreexploração dos recursos hídricos e das transformações nos sistemas agrícolas
• As dinâmicas de mobilidade (migração) como resposta a pressões ambientais e económicas
• Os desafios associados a grandes soluções tecnológicas e infraestruturais face ao aumento da procura de água
• A necessidade de alinhar políticas públicas com práticas sociais e comportamentos de consumo
Um dos contributos centrais do artigo reside na valorização das perceções sociais e do conhecimento local. Longe de serem secundárias, estas dimensões revelam-se fundamentais para compreender como as comunidades interpretam, adaptam e respondem às mudanças ambientais, influenciando diretamente a eficácia das estratégias de governação.
Este artigo, com a coautoria de Yedda Oliveira, Diogo Guedes Vidal, Fátima Alves e Rosário Rosa, materializa um percurso de investigação comprometido com a compreensão das relações entre comunidades locais e sistemas socioecológicos em contextos de elevada complexidade e vulnerabilidade.
A partir de 105 entrevistas com pescadores artesanais em áreas protegidas costeiras da Paraíba e de Pernambuco, o estudo analisa como são percecionadas as transformações nas dinâmicas da pesca e as ameaças socioambientais — como a sobrepesca, a poluição e a degradação dos ecossistemas. Mais do que opiniões individuais, estas perceções emergem como expressões socialmente estruturadas, profundamente influenciadas por fatores como o rendimento, o género e o grau de dependência da atividade pesqueira.
Entre os principais contributos do estudo, destacam-se:
• A evidência de que desigualdades socioeconómicas moldam a perceção e a experiência das ameaças ambientais
• A identificação de maior sensibilidade às pressões socioambientais entre pescadores com menores rendimentos, refletindo vulnerabilidades estruturais
• A demonstração de que as diferenças de género influenciam significativamente o conhecimento e a leitura do ambiente, evidenciando a importância das dimensões sociais na ecologia
• Uma abordagem metodológica robusta, que combina análise qualitativa de conteúdo com modelação estatística, permitindo uma leitura integrada e aprofundada dos dados
Este trabalho reforça a importância de abordagens que articulem ciência, território e participação social. No contexto da Rede Marangatu, sublinha-se que a governação eficaz das áreas protegidas costeiras depende da integração entre conservação da biodiversidade, justiça social, valorização dos saberes locais e fortalecimento dos meios de subsistência das comunidades.
Este é mais um contributo para a construção de políticas públicas mais inclusivas, informadas e sensíveis às realidades locais, alinhadas com os princípios da ciência cidadã.
Parabéns a toda a equipa de autores/as por esta relevante contribuição!