Categoria: Dissertações

  • As perceções dos médicos sobre os impactos das alterações climáticas na saúde

    As perceções dos médicos sobre os impactos das alterações climáticas na saúde

    As alterações climáticas não se resumem apenas a temperaturas em alta ou ao derretimento das calotas de gelo; é uma ameaça à nossa saúde que não pode ser ignorada. Esta dissertação de mestrado em Relações Interculturais na Universidade Aberta explorou a ligação crucial entre as alterações climáticas e o bem-estar humano, sob a perspetiva dos profissionais de saúde que estão na linha de frente desta batalha. Este dissertação teve a orientação de Fátima Alves.

    Resumo:

    “As alterações climáticas têm consequências na saúde humana de várias formas, contribuindo para o aumento da morbilidade e mortalidade por diversas doenças do foro respiratório, cardiovascular, infecioso e mental. Compreender como os médicos entendem as alterações climáticas e as suas consequências para a saúde é fundamental, na medida em que permite o desenvolvimento de estratégias de prevenção e diagnóstico/tratamento mais eficazes, bem como atuar no âmbito da adaptação e mitigação, influenciando políticas e estratégias de intervenção nos diversos territórios.

    No entanto, pouco se conhece sobre as perceções dos médicos acerca dos impactos das alterações climáticas na saúde. Com vista a contribuir para esse conhecimento, procuramos com esta pesquisa conhecer e compreender como os médicos entendem, explicam e vivenciam, na sua prática clínica, os impactos das alterações climáticas na saúde humana. Além disso, importa perceber se se identificam como atores principais na consciencialização dos seus pacientes sobre os impactos das AC na saúde.

    Para concretizar este estudo, recorremos a um desenho metodológico qualitativo que nos permitisse a compreensão e interpretação do fenómeno do ponto de vista dos sujeitos desta investigação. Orientamos, ainda, pela abordagem construtivista, porque nos possibilita conhecer os significados atribuídos à realidade dos sujeitos, levando em consideração os seus próprios quadros de referência. Devido a estas escolhas, a entrevista semiestruturada e a análise de conteúdo foram consideradas as técnicas mais adequadas para recolha e análise de dados.

    Os resultados principais desta investigação evidenciam que os médicos estão informados sobre os efeitos e causas das alterações climáticas e reconhecem os riscos adicionais para a saúde humana. Eles, ainda, reconhecem o seu papel como atores principais na conscientização dos pacientes sobre os impactos das AC na saúde. Contudo, ficou expressa a necessidade de formação, nomeadamente na ligação entre as alterações climáticas e a saúde, a qual deve ser implementada na educação académica e ao longo da prática profissional“

    Ponte, N. (2023). As perceções dos médicos sobre os impactos das alterações climáticas na saúde [masterThesis]. http://hdl.handle.net/10400.2/14923

  • A relevância das racionalidades leigas sobre alterações climáticas na definição de políticas e estratégias

    A relevância das racionalidades leigas sobre alterações climáticas na definição de políticas e estratégias

    Resumo:

    “As alterações climáticas (AC) são o maior problema ambiental da atualidade, repercutindo-se no equilíbrio dos ecossistemas, nos modos de vida, na organização social, na saúde e no bem-estar das populações. Delimitando o objeto de estudo em torno da compreensão da multidimensionalidade e complexidade do campo socioambiental onde se inserem as AC, analisando-o enquanto construção social, procurámos, com base nas relações de reciprocidade entre as sociedades e o ambiente, as estruturas e os agentes, compreender o seu lugar na ordem social e política. A partir dos casos da Ilha da Madeira, pertencente à Região Autónoma da Madeira (RAM), e de Las Palmas de Gran Canaria, pertencente à Comunidade Autónoma das Ilhas Canárias (CAIC), territórios da Macaronésia e Regiões Ultraperiféricas (RUP), mais sujeitas às AC, quisemos entender como as pessoas concebem, explicam e lidam com o fenómeno, como se tem processado a comunicação, em que sentido vêm evoluindo as políticas, e como se estrutura a participação de AC. Estão em vigor estratégias e planos de mitigação e de adaptação alavancados pelos respetivos governos regionais e pelo poder local, elencados nas diretrizes europeias e nacionais (e.g., Estratégia Clima-Madeira, Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas, Plan de Acción de la Estrategia Europa 2020 en Canarias, Estrategia Insular de Adaptación al Cambio Climático e Impulso de la Economía Baja en Carbono – Gran Canaria, etc.), mas as políticas não têm refletido o conhecimento das causas e consequências das AC na vida quotidiana, nem promovido a participação das populações na sua definição e implementação. Metodologicamente, adotámos uma abordagem qualitativa, assente nos estudos de caso da Madeira e de Las Palmas, com recurso a pesquisa documental e a entrevistas semiestruturadas. Demos ao estudo uma ênfase teórico-metodológica compreensiva, integrando contributos de diversas teorias. Os resultados mostraram a incontornabilidade das racionalidades leigas na compreensão das redes de AC, e na definição de políticas articuladas com as mudanças que se impõem para lidar com a crise socioambiental nos territórios.”

    Mendonça, A. M. B. (2022). A relevância das racionalidades leigas sobre alterações climáticas na definição de políticas e estratégias ajustadas aos contextos: Os casos da Madeira e de Las Palmas de Gran Canaria [Tese de Doutoramento, Universidade Aberta]. http://hdl.handle.net/10400.2/13167

  • Ética ambiental com crianças : um estudo em educação ambiental para a construção de uma cidadania participativa

    Ética ambiental com crianças : um estudo em educação ambiental para a construção de uma cidadania participativa

    Resumo:

    “O presente trabalho analisa a perceção, a relação e as práticas que as crianças do primeiro ano de escolaridade do ensino público têm com os seres não-humanos e a Natureza, tendo como base as várias correntes da Ética Ambiental. Este estudo reflete as causas da crise ambiental e aponta caminhos para a construção de uma cidadania ambiental e participativa. Implementámos uma metodologia mista (qualitativa e quantitativa), mas com prevalência da abordagem qualitativa, através da elaboração de entrevistas semiestruturadas. A análise dos dados permitiu responder aos objetivos propostos (perceções e práticas), demonstrando apreço e respeito dos alunos com a Natureza e as outras formas de vida, numa pluralidade de modelos e considerações dentro da Ética Ambiental. Nesse contexto, evidenciou-se uma visão marcadamente antropocêntrica – a defesa da Natureza porque ela traz algum benefício para o ser humano – mas, também, foi possível identificar considerações que se afastam dos interesses especificamente pessoais e humanos, para abraçar valores intrínsecos de muitos dos elementos naturais, inserida em perspetivas bio e ecocêntricas da Ética Ambiental. As narrativas mostraram práticas cuidadas para com a vida em geral e um relacionamento familiar com os animais de estimação. Tanto a análise como a discussão permitem perceber as lacunas da Educação Ambiental nas escolas públicas onde foram realizadas as entrevistas aos alunos bem como as potencialidades que a dimensão da Ética Ambiental pode oferecer na Educação, mas especialmente nas ações de Educação Ambiental. As evidências que o presente estudo tornou visíveis pode inspirar novos modelos e recomendações em Educação e em Educação Ambiental particularmente, que permitam corrigir questões de relacionamento entre o ser humano e a Natureza para a resolução dos problemas ambientais, também numa perspetiva de uma cidadania ambiental participativa, quadro do presente trabalho no âmbito do tema do Mestrado que o acolhe.“

    Moreira, J. D. B. (2019). Ética ambiental com crianças: Um estudo em educação ambiental para a construção de uma cidadania participativa [Dissertação de Mestrado, Universidade Aberta]. http://hdl.handle.net/10400.2/8558