Ondas de calor: uma urgência social, territorial e de saúde pública

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Destaques da intervenção de Fátima Alves no ciclo de debates TERRA Viva – Kit de Sobrevivência

Na sua participação no ciclo de debates TERRA Viva, a investigadora Fátima Alves do GI Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado Terra da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal foi clara: “o calor mata — e mata cada vez mais”. As ondas de calor são hoje uma urgência científica e social, com impactos diretos na mortalidade e na saúde, sobretudo entre as populações mais vulneráveis.

O que está em causa?

  • O aumento da frequência, duração e intensidade das ondas de calor, especialmente no sul da Europa e em Portugal
  • Uma geografia da vulnerabilidade, marcada por desigualdades sociais, territoriais e habitacionais
  • Grupos mais afetados: pessoas idosas, doentes crónicos, crianças, grávidas, trabalhadores ao ar livre e pessoas socialmente isoladas

Fátima Alves sublinhou que nem todos sofremos o calor da mesma forma. As condições de vida, o território onde se vive, a qualidade da habitação e o acesso a espaços verdes fazem toda a diferença. As cidades, em particular, concentram riscos agravados devido às ilhas de calor urbano e à falta de preparação arquitetónica e ecológica.

A natureza como aliada da saúde

Um dos pontos centrais da sua intervenção foi o papel das árvores e dos espaços verdes. Longe de serem elementos decorativos, são agentes ativos dos ecossistemas, fundamentais para reduzir a temperatura, melhorar o conforto térmico e salvar vidas. Cortar árvores é, muitas vezes, agravar riscos invisíveis — mas reais — para a saúde pública.

Um “kit de sobrevivência” coletivo

Para Fátima Alves, responder ao calor extremo exige muito mais do que conselhos individuais. É preciso um kit coletivo, que inclua:

  • Refúgios climáticos acessíveis (bibliotecas, escolas, centros de dia)
  • Mais arborização e corredores de sombra
  • Articulação entre saúde, proteção civil e serviços sociais
  • Monitorização do território e apoio ativo às populações isoladas

Literacia climática e em saúde, para transformar conhecimento científico em ação concreta

A mensagem final é clara: investir em prevenção, planeamento e natureza é investir em saúde, bem-estar e justiça social.

Assista à intervenção completa de Fátima Alves no debate no vídeo abaixo.