Categoria: Artigos de Opinião

  • Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer

    Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer

    No seu mais recente artigo de opinião, intitulado «Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer», Fátima Alves parte da imagem de um pequeno bosque de carvalhos abatido para dar lugar a painéis solares para interrogar o modo como a transição energética está a ser conduzida em Portugal. A questão que coloca é simples e incómoda: que energia pode ser verdadeiramente “limpa” quando destrói a pouca floresta autóctone que ainda existe e quando decisões com forte impacto ecológico e social são tomadas em nosso nome, sem participação efetiva das comunidades?

    A autora recusa a ideia de que a crise ecológica seja um destino inevitável ou uma espécie de castigo natural. Pelo contrário, sublinha que se trata do resultado de décadas de opções políticas e económicas que trataram a natureza como depósito inesgotável e as pessoas como mão-de-obra descartável. Exemplos como a autorização da chegada de elefantes em fim de vida a ecossistemas onde não pertencem, ou a expansão da agricultura intensiva em áreas protegidas, são apresentados como decisões alinhadas com interesses muito concretos, que fragilizam territórios e formas de vida.

    Ao longo do texto, Fátima Alves* critica também a retórica dos “sacrifícios necessários” em nome do progresso. Pergunta de quem são, afinal, esses sacrifícios: das populações rurais cada vez mais isoladas, dos jovens empurrados para vidas precárias, dos trabalhadores que veem a saúde e a educação públicas encolherem, ou dos migrantes transformados em bode expiatório de problemas que não criaram. A ideia de que “não há alternativa” é analisada como mecanismo que normaliza desigualdades, legitima destruição e oculta quem beneficia deste modelo.

    Outro eixo central da reflexão é a normalização quotidiana de discursos autoritários e xenófobos por parte de setores da classe política e dos meios de comunicação social. Ao oferecer explicações fáceis para problemas complexos, estes discursos desviam o olhar dos verdadeiros centros de decisão e contribuem para desresponsabilizar quem lucra com o desordenamento territorial, a precariedade laboral e a exploração intensiva da natureza.


    Convidamos a descobrir o artigo completo AQUI


    * Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal.


    Alves, F. (2025, novembro 15). Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer! Diário As Beiras. https://www.asbeiras.pt/opiniao-entre-a-banalizacao-do-inaceitavel-e-as-escolhas-coletivas-que-temos-de-fazer/


  • Territórios vivos: o poder local entre pessoas, natureza e futuro

    Territórios vivos: o poder local entre pessoas, natureza e futuro

    No dia 18 de outubrode 2025, foi publicado no Diário As Beiras mais um artigo de opinião assinado por Fátima Alves*: “Territórios vivos: o poder local entre pessoas, natureza e futuro”.

    O texto é um convite a reaprender a habitar o mundo, lembrando que o dinheiro é público e que governar localmente é cuidar da casa comum com critério, visão e transparência. Defende-se a necessidade de estratégias estruturais para enfrentar as alterações climáticas, as desigualdades territoriais e a erosão do sentido comunitário, incorporando ordenamento do território, regeneração ecológica e envolvimento das populações na prevenção e no restauro da paisagem. Sublinha-se, ainda, que políticas eficazes exigem conhecer como as pessoas se relacionam com a natureza (perceções, valores, práticas) e que o poder local tem o duplo desafio de reconhecer a diversidade dos territórios e identificar as falhas das políticas quando ignoram nuances socioculturais e económicas. A atração e fixação de jovens surge como condição de futuro, imaginando territórios vivos que acolham inovação, agricultura regenerativa, artes e investigação transdisciplinar.

    Convidamos a descobrir o artigo completo AQUI.


    * Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal.


    Alves, F. (2025, outubro 18). Territórios vivos: O poder local entre pessoas, natureza e futuro. Diário As Beirashttps://www.asbeiras.pt/opiniao-territorios-vivos-o-poder-local-entre-pessoas-natureza-e-futuro/

  • A coragem de mudar começa com a ação!

    A coragem de mudar começa com a ação!

    Autor: Fátima Alves

    A coragem de mudar começa com a ação!

    O recente artigo de Fátima Alves do Societies and Environmental Sustainability Research Group do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado Terra da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal, publicado no Diário As Beiras, aborda a crescente normalização dos abusos e da passividade, sendo através da coragem de agir e resistir – especialmente em pequenas acções quotidianas – que a transformação se torna possível.

    Em tempos de desilusão e silenciamento, a coletividade da coragem emerge como a força necessária para fortalecer os valores democráticos e impulsionar um futuro mais justo e consciente.

    Convidamos a ler o artigo completo no Diário as Beiras

    Citação:

    Alves, F. (2025, abril 5). As novas máscaras do medo e a coragem de mudar. Diário As Beiras. https://www.asbeiras.pt/opiniao-as-novas-mascaras-do-medo-e-a-coragem-de-mudar

  • A Loucura do Século XXI

    A Loucura do Século XXI

    Vivemos num mundo onde o sofrimento psíquico se tornou banal. Ansiedade, depressão, exaustão. Chamam-lhe a epidemia silenciosa do século XXI, mas será mesmo silenciosa? Ou estaremos todos a gritar por dentro, tentando sobreviver num sistema que nos consome? É esta a reflexão de Fátima Alves, coordenadora e investigadora do Societies and Environmental Sustainability Research Group do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado Terra da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal no Diário As Beiras desta semana.

    O que nos está a adoecer?

    Não é só o ritmo acelerado, a precariedade ou o isolamento. É a erosão dos laços sociais, a normalização da instabilidade emocional, a ilusão de que basta um comprimido ou uma app de meditação para suportar jornadas de trabalho insanas. E a natureza? Dizem que um passeio ao ar livre ajuda, mas como falar dos benefícios da natureza enquanto continuamos a destruí-la?

    A loucura já não está nos asilos. Está no quotidiano. Está nos líderes que acumulam poder enquanto nos empurram para o abismo. Está na destruição dos ecossistemas que nos sustentam. Está num mundo que já não distingue delírio de estratégia, caos de progresso.

    Há saída?

    Talvez a verdadeira sanidade seja resistir. Construir comunidades que cuidam, que nos devolvam o essencial: conexão, humanidade, equilíbrio com a natureza.

    Leia o artigo completo no Diário As Beiras


    Alves, F. (2025, março 8). A Loucura do Século XXI. Diário As Beirashttps://www.asbeiras.pt/opiniao-a-loucura-do-seculo-xxi/