Ontem, dia 20 de abril, na Sala de Atos da Universidade Aberta de Portugal, realizaram-se as Provas de Agregação na Área Científica de Ciências Sociais, subárea de Sociologia, área disciplinar de Sustentabilidade e Desenvolvimento da coordenadora do GI, Fátima Alves.
As sessões ilustraram a materialização de um percurso raro, daqueles que não apenas percorrem caminhos, mas que os criam. Fátima Alves não só coordena, como fundou, no seio do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, um espaço intelectual e coletivo que hoje é incontornável. Com ele, contribuiu para abrir a ecologia às ciências sociais, e a sociologia à complexidade do mundo vivo, recusando fronteiras disciplinares rígidas e afirmando a necessidade de pensar em relação, em interdependência, em coevolução.
O seu percurso é, nesse sentido, pioneiro e estruturante. Ao longo dos anos, tem vindo a desbravar, com rigor e sensibilidade, o campo das relações socioecológicas, convocando pluralidades de saberes, práticas e epistemologias, e insistindo nos diálogos — por vezes difíceis, sempre necessários — que permitem compreender os mundos da vida na sua densidade e heterogeneidade.
A sua coragem intelectual e sofisticada, como referida pelos membros do júri, sustenta uma sociologia da natureza que não observa “o ambiente” como exterior, mas que o reconhece como constitutivo das próprias relações sociais, dos modos de conhecer e de existir. Uma sociologia que se faz também nas margens, nas tensões, nos encontros entre disciplinas, saberes e formas de vida.
Nada disto é simples. É um trabalho exigente, por vezes solitário, frequentemente atravessado por resistências. Mas é, também, um trabalho profundamente necessário — talvez mais do que nunca — num tempo em que os desafios ecológicos nos obrigam a repensar, de forma radical, o lugar do humano no mundo.
O grupo de investigação reconhece, com profunda estima e gratidão, tudo o que este percurso tornou possível. Não apenas enquanto produção científica, mas enquanto criação de comunidade, de linguagem comum, de horizonte ![]()

