No passado dia 19 de junho, a Rede Marangatu promoveu mais um importante momento de encontro, escuta e construção coletiva com a realização do Fórum Comunitário sobre Conservação da Biodiversidade e Sustentabilidade dos Territórios Costeiros, reunindo representantes das comunidades pesqueiras, instituições públicas, organizações locais, investigadores e parceiros, em João Pessoa, Paraíba (Brasil).
Realizado no âmbito do Projeto Associado CFE-UC da Rede Marangatu, o fórum constituiu um espaço privilegiado para refletir sobre os desafios e oportunidades da conservação da biodiversidade na região, valorizando os conhecimentos locais e promovendo o diálogo entre diferentes atores sociais.
No âmbito das atividades da linha temática “Naturezas, Sociedades e Culturas”, partilhamos um novo episódio do podcast Compor Mundos, uma iniciativa do GI Societies and Environmental Sustainability Research Group do Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, Laboratório Associado Terra da Universidade de Coimbra e sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal com a da Rede Compor Mundos.
Neste episódio, contamos com a participação de Verónica Policarpo (ICS – Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) e Diogo Guedes Vidal (CFE-UC/UAb), numa conversa centrada no tema: “Reconstruir o comum após catástrofe”
A partir do trabalho desenvolvido no projeto #abide — Animal Abidings: Recovering from Disasters in More-than-Human Communities, este diálogo propõe uma reflexão crítica e sensível sobre os processos de reconstrução em contextos pós-catástrofe.
Em destaque nesta conversa:
• A ideia de que os territórios não ficam vazios após a destruição
• A persistência de vidas, relações e presenças — humanas e mais-que-humanas
• A necessidade de repensar o conceito de “comum” para além da dimensão exclusivamente humana
• A reconstrução como um processo relacional, que integra múltiplas formas de vida e modos de habitar
Este episódio convida-nos a deslocar o olhar das abordagens convencionais centradas na infraestrutura e no “regresso à normalidade”, abrindo espaço para uma compreensão mais ampla, inclusiva e ecológica dos processos de reconstrução.
O novo vídeo do projeto SHIFT-MARES, coordenado pelo Ciimar, mostra muito mais do que ciência — revela um trabalho verdadeiramente colaborativo, interdisciplinar e orientado para apoiar decisões sobre o futuro das nossas zonas costeiras.
Ao longo do projeto, analisámos como as alterações climáticas e as pressões humanas influenciam os serviços de ecossistema na Ria Formosa, com impactos diretos no turismo, na biodiversidade e nas atividades económicas locais. Este esforço integrou modelação ecológica avançada, indicadores de serviços de ecossistema e um processo participativo com múltiplos atores.
No vídeo, é com especial orgulho que vemos representado o nosso contributo pela coordenadora do grupo, Fátima Alves, refletindo o compromisso com a coprodução de conhecimento e a ligação entre investigação e decisão.
Um dos momentos-chave do projeto foi o workshop participativo, que reuniu investigadores, decisores, setor produtivo e comunidade local. Este processo permitiu:
validar resultados científicos
integrar conhecimento local e experiência prática
identificar medidas concretas de gestão (como proteção de habitats, regulação de atividades e reforço da governação). Integram a equipa do CFE Rosário Rosa e Diogo Guedes Vidal.
Este é o caminho: ciência aplicada, construída em conjunto, para responder a desafios complexos e apoiar uma gestão mais sustentável dos ecossistemas marinhos.
Neste episódio, intitulado “E os rios?”, Diogo Guedes Vidal conversa com Marluci Menezes, investigadora principal do LNEC e antropóloga, cujo trabalho tem contribuído de forma significativa para a reflexão sobre as relações entre memória, paisagem, participação e cidade.
A partir de uma abordagem sensível e interdisciplinar, a conversa explora os rios enquanto entidades socioecológicas e enquanto arquivos vivos de práticas, afetos e conflitos. Questiona-se a sua crescente invisibilização no contexto urbano e discute-se o que se perde, em termos de memória, relação e experiência, quando a água deixa de ser uma presença vivida para passar a ser apenas infraestrutura ou risco.
Convidamos toda a comunidade a escutar e a partilhar.